
Assisti hoje no Espaço Unibanco de Cinema, na Rua Augusta, o documentario de Claudio Manoel, "Simonal-Ninguém sabe o duro que dei", e fiquei admirado com um trabalho redondo e afinado de toda a equipe.
Imagens raras, de entrevistas do genial cantor, regada a muitas declarações de pessoas que conviveram com ele, e também algumas apresentações de músicas classicas como Meu Limão, meu Limoeiro, Pais Tropical, entre outras marcaram o documentário.
Em nenhum momento o documentário saiu do seu eixo: Mostrar a história musical de Simonal da maneira mais justa possível e o mais impressionante foi ter dado chance pro "culpado" pela decadência do showman, seu contador Raphael Viviani de contar o seu relato sobre a confusa história de Simonal ter mandado policiais do DOPS na casa dele pra lhe dar uma surra devido Simonal te-lo acusado de roubar dinheiro da sua firma, a Simonal Produções.
Wilson Simonal conheceu a glória e a tragédia na música popular brasileira, mas seu legado nunca será esquecido, esse documentário mostra bem isso.

O Brasil perdia, há 10 anos, um dos maiores dramaturgos de sua história, Alfredo Dias Gomes, num acidente de carro no centro de São Paulo.
Um autor que escrevia suas peças, cronicas e novelas com uma acidez e brasilidade impressionante, e ao mesmo tempo sabia ser popular na medida em que lhe convinha.
Começou no Rio de Janeiro, nos anos 30 e logo após foi pra São Paulo, com o igualmente genial Oduvaldo Viana Filho trabalhar como redator na Rádio Panamericana.
Sempre preocupado com o seu país, escrevendo em seus textos criticas sociais, em 1959 conheceria seu primeiro e maior sucesso ao redor do mundo, o filme O pagador de promessas, laureado pela Palma de Ouro em Cannes e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro (o primeiro a conseguir tal feito no pais).
Com a Ditadura Militar nos anos 60, seus textos subversivos eram sempre questionados e censurados, com isso não conseguia trabalhar; sendo assim, aconselhado pela sua esposa Janete Clair (a maior novelista de todos os tempos) e de Boni, diretor geral da Rede Globo, Dias passou a escrever novelas, a partir de 1970.
Dai pra frente, ele só conheceu a fama com classicos como Bandeira 2 (1971), O Bem Amado (1973, onde ele imortalizou os antagonistas Odorico Paraguaçu e Zeca Diabo) e a censurada Roque Santeiro (1975) onde o juiz Armando Falcão a proibiu por fazer "achincalhar a sociedade brasileira", o texto da novela era baseada na peça também contestada dos anos 60 O Berço do Herói. A novela teve que esperar 10 anos para ser finalmente exibida, com a chegada da Nova República, se tornando a novela de maior audiência da história da televisão, com uma média de 80 pontos por dia.
Da década de 90 em diante, ele fez minisséries e novelas de 30 capitulos, como O fim do mundo (1996).
Numa entrevista da Playboy nos anos 80, Dias se auto definiu:
" Eu sou anarcomarxista ecunemico e sensual".
Eu diria que Dias foi um gênio, corajoso e inovador.
Sinhozinho Malta, Porcina, Odorico, Lazinha Chave de Cadeia, Jocasta, Tony Carrado e o Brasil inteiro sente a sua falta.

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