
O que nós somos?
O que pretendemos em nossa vida?
Como lutamos por um ideal?
Consegui uma resposta no longinquo ano de 1876, ano em que o escritor português Eça de Queiroz, escreveu o texto O Povo
Vejam que pérola da realidade mundial até hoje:
Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com
divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com
dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo
bem, que sofrem, que se lamentam em vão.
Estes homens, são o Povo.
Estes homens estão sob o peso de calor e de sol, transidos pelas
chuvas, ruídos de frio, descalços, mal nutridos; lavram a terra,
revolvem-na, gastam a sua vida, a sua força, para criar o pão, o
alimento de todos.
Estes são o Povo, e são os que nos alimentam.
Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem
doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter o repouso do
corpo e a expansão da alma, e fabricam o linho, o pano, a seda, os
estofos.
Estes homens são o Povo, e são os que nos vestem. Estes homens vivem
debaixo das minas, sem o sol e as doçuras consoladoras da Natureza,
respiram mal, comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos,
curvados, e extraem o metal, o minério, o cobre, o ferro, e toda a
matéria das indústrias.
Estes homens são o Povo, e são os que nos enriquecem. Estes homens,
nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria, e
vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio,
nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães,
sem ventura, esquecidos, para que nos conservemos o nosso descanso
opulento.
Estes homens são o Povo, e são os que nos defendem. Estes homens
formam equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado,
servos mal retribuídos e desprezados. Estes homens, são os que nos
servem.
E o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz a estes homens que o
vestem, que o alimentam, que o enriquecem, que o defendem, que o
servem?
Primeiro, despreza-os, não pensa neles, não vela por eles, trata-os
como se tratam os bois; deixa-lhes apenas uma pequena porção dos seus
trabalhos dolorosos; não lhes melhora a sorte, cerca-os de obstáculos
e de dificuldades; forma-lhes em redor uma servidão que os prende a
uma miséria que os esmaga; não lhes dá proteção; e, terrível coisa,
não os instrui: deixa-lhes morrer a alma.
É por isso que os que têm coração e alma, e amam a justiça, devem
lutar e combater pelo Povo.
E ainda que não sejam escutados têm na amizade dele uma consolação
suprema.
Não ficaram satisfeitos? Vejam o video que Chico Anysio, através do seu maravilhoso personagem O Profeta fez sobre esse mesmo texto
http://br.youtube.com/watch?v=ZtMkeRzJ7DM
Como diria o personagem: Podem ficar a vontade pra pensar!!!
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